UMA PEQUENA AMOSTRA DE COMO É SER UM TÉCNICO OU TECNÓLOGO EM RADIOLOGIA

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Uma pequena amostra de como é ser um técnico ou tecnólogo em Radiologia
Por André Luiz

Hoje, mesmo antes de chegar ao trabalho soube que haveria uma alta demanda de exames. Porém, nunca havia colocado a minha prática profissional em perspectivas numéricas além da quantidade de exames. Por curiosidade, resolvi fazer essas contas para mostrar o quanto é desafiante essa profissão, uma vez que realizamos muitos procedimentos em cada exame. Lembrando que podemos repetir várias etapas com um paciente que tenha vários exames:

1. Verificação dos dados e exames solicitados para cada paciente;
2. Digitação dos dados do paciente em uma planilha Excel com número de matrícula, nome completo, exame, data, e fatores de exposição;
3. Preparar a sala para o paciente;
4. Chamar o paciente e realizar o seu preparo (principalmente retirar qualquer objeto ou artefato que cause problemas ou interferências, e no caso de mulheres perguntar sobre a suspeita de gravidez);
5. Optar por realizar determinados exames em ortostático ou decúbito de acordo com o biotipo do paciente;
6. Selecionar os fatores de exposição (kV, mA e tempo) de acordo com o exame solicitado e condições do paciente;
7. Escolher o tamanho correto e orientação do receptor de imagem de acordo com o exame solicitado;
8. Posicionar o paciente, comunicar as orientações necessárias para a realização do exame;
9. Posicionar corretamente: distância, raio central e/ ou angulação do aparelho emissor;
10. Colimar de acordo com a região de interesse do exame solicitado;
11. Orientar novamente que o paciente não se mova ou realize manobra respiratória;
12. Realizar o disparo olhando para o paciente;
13. Inserir o receptor de imagem exposto na leitora digital;
14. Visualizar e interpretar a imagem de acordo com a região anatômica que deve ser visualizada no exame solicitado,  padrões de qualidade (brilho, contraste, detalhe e distorção), presença artefatos (metálicos ou não) e alterações anatômicas e/ou patológicas;
15. Decidir sobre a repetição ou não da imagem;
16. Inserir as identificações nas imagens;
17. Verificar a necessidade de impressão das imagens;
18. Enviar os exames via PACS;
19. Carimbar e assinalar a hora de atendimento;
20. Dispensar o paciente e orientá-lo para onde se dirigir em seguida e sanar qualquer dúvida que ele tenha, exceto sobre o resultado do exame realizado.

Esta é a minha rotina com cada paciente. E estes são os dados de atendimento em 4 horas de trabalho:

24 pacientes (6 pacientes por hora)
64 exames (16 exames por hora; 2,7 exames por paciente);
95 imagens (23,7 imagens por hora; 4 imagens por paciente);
1 repetição (0,95% do total).

Ao considerar os procedimentos descritos, chego ao número aproximado de 1.119 decisões e ações em 4 horas, ou seja, 5 por minuto. E tudo isso, considerando os princípios de radioproteção, algo primordial para se trabalhar com radiação ionizante.

Por isso, deixo aqui a minha opinião tanto para os alunos, quanto para os profissionais das técnicas radiológicas:

– É muito importante realizar os exames com agilidade, atenção e os cuidados que a atividade profissional exige, algo muito diferente de pressa (eu tinha essa preocupação quando na época dos estágios). Afirmação que pode ser demonstrada por um baixo índice de repetição.

– Aos estudantes: não se preocupem, no início, errar mais do que acertar é absolutamente natural. Cabe a você esclarecer suas dúvidas com professores e orientadores, prestar o máximo de atenção na execução dos exames e estudar muito a respeito;

– Aos profissionais: caso o índice de repetição esteja alto procure identificar e corrigir as causas sem apontar culpados, pois o objetivo destas ações são a de prestar o melhor serviço possível ao paciente com o mínimo de exposição (princípio ALARA).

E a lição que tenho do dia de hoje é:
“O que não pode ser medido não pode ser melhorado”.

O autor é Tecnólogo em Radiologia e atua no Estado de São Paulo

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